sexta-feira, 12 de julho de 2019

Biografia

Já fui criança (e ainda sou)

Já fiz poesia.

Já fui premiada em concurso de redação e em promoções literárias.

Já escrevi em agendas, cadernos, blogs. (Sim, blogs)

Já tive textos publicados no jornal.

Comecei alguns livros que não terminei.

Sou arquiteta, urbanista, gestora ambiental, técnica artística (às vezes 100 noção).

Sou escritora. Sempre serei.

Escrevo porque minh'alma transborda.

Escrevo, respiro, vivo.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Sim, eu sou assim.



Teve sol no meu domingo.
Raios de luz me abraçando.
Teve calor.
Não igual ao do verão, mas um calor agradável para uns e reconfortante para outros.
Teve banho de mar.
A água estava congelante...
Livro, música, som das ondas, silêncios...
Gente passando, pensamentos passando, tempo passando, tudo passando...
Porque tudo passa.
Mas eu, eu estou aqui sempre que precisar.

E em um único dia temos luz e escuridão, temos frio e temos calor, temos gente que vai e gente que vem, temos inverno e verão, temos sons: barulho e silêncio, temos certezas e dúvidas, temos paciência... Ou não.

Já não procuro entender...
Sou parte da natureza, e estou também, em constante mutação.
Me divirto com meus erros...
Quem disse que são erros? São só etapas que não saíram como planejado.
Comemoro vitórias...
Quem disse que são vitórias? São só conquistas de algo que posso nem querer mais amanhã.

Sou vento sem direção.
Mas sigo indo, pra um lugar ou pra outro.

Felicidade?
Não é um objetivo, é cada passo do caminho.
Quem sou eu?
Impossível descrever.
Desculpe o transtorno, pessoa em construção.


quarta-feira, 29 de maio de 2019

É proibido ser criança.

Deitada em um quarto de hotel ouço o choro de um bebê.
"Por que choras, ó criança?"
Será que ele já sabe o quanto sua existência é incoveniente para esse mundo hostil?
Nos tempos antigos, talvez não tão antigos... No mundo em que vivo, que deve ser diferente do mundo onde vivem as pessoas ao meu redor, um choro inconsolável causa sentimentos de piedade.
Será que tem dor? 
Será que tem fome? 
Será que se sente assustado, assim como nós muitas vezes, mas só conhece essa forma de expressar suas angústias?
E sua mãe, mãe de bebê que chora de tempos em tempos, será que precisa de algo? 
Uma ajuda? 
Um conselho? 
Umas horas de sono ou um banho demorado e despreocupado?
Muitas perguntas, nenhuma resposta, só o choro.
Certamente, nesse mesmo corredor, pessoas se incomodam com o pobre bebê. Consideram que o hotel deveria proibir a presença de bebês em seus quartos, assim como fazem alguns estabelecimentos.
Já existem hotéis só para adultos, onde crianças não são bem vindas. 
Uma vez li em uma crônica de jornal uma queixa sobre crianças em restaurantes. E o autor estava mesmo falando sério.
Nos teatros o aviso: "Se sua criança ficar impaciente, favor se retirar para acalmá-la do lado de fora da sala." 
As pessoas se aborrecem com crianças aborrecidas. 
As mesmas pessoas que "esquecem" de desligar celulares que tocam no meio do primeiro ato. Mas tudo bem, esse crime não é grave, acontece com qualquer um.
Fico imaginando para onde enviaremos os bebês e crianças.
Banidos da sociedade, viverão isolados com suas mães. Mulheres que também serão banidas. Culpadas por parirem crianças que choram, resmungam, que não se comportam como adultos ou robôs.
Que mundo é esse? 
Por que tanta hostilidade?
Pensando, sinto vontade de chorar junto com o bebê do quarto ao lado.
Mas é melhor chorar baixinho, lágrimas gotejando na fronha do travesseiro. 
Se eu chorar como ele, posso ser banida também.
Pensando bem, talvez eu deva berrar ainda mais alto. 
E convidar essas mães, para chorarem comigo.
Seremos todas expulsas desse lugar de gente ranzinza.
Vamos viver no planeta dos pequeninos. Vamos brincar, ver o mundo com olhos infantis, assistir peças de teatro e correr entre as mesas dos restaurantes, vamos cantar cantigas de roda...
Vamos chorar e nos consolar. 
Vamos pedir colo e dar colo, dar carinho, compreender a dor do outro e nos solidarizar.
No nosso planeta, bebês e crianças serão bem vindos, bem vistos, amados por todos. 
Criança vai ser criança.
E adulto ranzinza vai ser convidado a se retirar, ou a tirar os sapatos pra brincar de guerra de travesseiros.

terça-feira, 26 de março de 2019

Totalmente nua

Vou me despir.

Vou tirar todas essas camadas de roupa que escondem meu verdadeiro eu.

Aparecerei totalmente nua. Cabelos despenteados. Sem maquiagens ou máscaras.

Me despirei principalmente das máscaras.

Vou mostrar meu corpo, exatamente como ele é.

Cada curva perfeita e cada centímetro de imperfeição.

A pele desnuda, arrepiada de frio. As gotas de suor nas têmporas. (Está frio ou calor?)

Mostrarei meus largos sorrisos e as lágrimas teimosas que marcaram meu travesseiro.

Cada pelo, cada mancha, cada uma das cicatrizes.

E enquanto alguns enumerarão meus defeitos e outros observarão minhas qualidades, estarei ali, nua, calada, contando todos os meus segredos, repleta de certezas.

"Os olhos que me veem não enxergam a minha alma"

"Ainda que esteja despida de todos os subterfúgios estarei protegida pelo escudo da incompreensão"

Já tive medo de me expor. Hoje me exponho feliz.

Registro os sentimentos, certa de que estou segura.

Meus ângulos são diferentes e cada face do prisma reflete uma cor.

Posso mostrar tudo e ser transparente como o ar, mas ninguém verá o mundo pelos meus olhos.

A nudez não revela quem sou.

Posso me despir dos medos, das tristezas e até daquilo que me faz feliz, e ainda assim, não estarei vazia.

Porque estou repleta de mim.

Nua. Exposta nas vitrines. Meu eu revelado. Publicado.

E ainda assim protegida de tudo e de todos.

Olhe em meus olhos profundamente, ainda que minha nudez te distraia, e mesmo com toda a atenção, não será capaz de saber tudo que sei.

Essa sou eu.

Mas ainda tem muito mais.

sábado, 29 de dezembro de 2018

Desde criança



Porque EU AMO ELEFANTE, desde criança.
E tem muitas características que eu carrego em mim, desde criança.

E eu já mudei muito, muitas vezes, interna e externamente, desde criança...

Principalmente no meu jeito de ser.

Eu já amei a lua mais que tudo, e já amei as estrelas ( que ainda brilham no teto do meu quarto), e esse amor permanece, mas é o SOL que brilha em meu coração agora.

Mas enfim, voltando aos elefantes...

Desde de criança.

Desde bem pequena eu admiro esses enormes paquidermes.

Sinto que temos uma conexão, e que, quando eu ia (ou vou) ao zoológico*.. (que é o lugar mais perto que eu posso ver um ao vivo), se eu pensar bem forte, ele me  escuta.

Loucura? Não sei.

Mas se eu acredito, ele me escuta.

E assim, ele sabe o quanto eu o amo.

Não sei explicar o que me faz admirá-los tanto. Simplesmente não sei...

Posso dizer mil coisas, reais ou imaginárias (como nossa conversa), mas nada vai explicar completamente.

Assim é o amor.

E meu amor é real, é seguro... Amo, mesmo a distância.

Amo.

Sinto vontade de ficar frente a frente com um elefante, abraçá-lo, encostar minha testa em sua testa, para uma conversa mais íntima.

Sinto falta de nossas conversas.

Faz tanto tempo...

Mas não importa o tempo que passe, meu amor só cresce... É um amor de criança, da criança que carrego em mim, desde criança.

Beijos 🐘 🐘 🐘

*Obs.: Tenho minha própria teoria quanto aos zoológicos. Uns dizem que é prisão, uns não pensam sobre isso, ou não se importam. Não vou discutir sobre isso. Se os zoológicos não existissem... Ou quando deixarem de existir... Mas por enquanto, esse é o mundo que vivemos. Certo ou errado, é com os erros que aprendemos.

Obs. 2: Essa semana o Japão liberou a pesca (ou caça) às baleias... Depois de 30 anos de proibição. E ai, o que estamos fazendo contra isso?

#elefante #elephant🐘 #santuariodeelefantesbrasil #euamoelefantes  #euamoescrever #desdecrianca #amorpuro #paginasembranco #helena73sa

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Minha biblioteca

Quando minha filha era pequena, ela dizia que tinha uma biblioteca na nossa casa.

Chique, não é?

Na verdade, a "biblioteca" era a cantoneira do guarda roupas, repleta de livros, que eu comprei, ganhei, herdei, resgatei, li, reli, não li, separei por título, por autor, por tamanho...

Livros que vem e vão, e que entre as idas e as vindas, se acumulam pela casa.

Já emprestei, já presenteei, já doei pra biblioteca de verdade, a pública, mas eles continuam por aqui, em todos os cantos do meu lar.

Na mesa de cabeceira duas pilhas. A de livros lidos durante o ano e a de livros iniciados e abandonados no meio do caminho... Aguardando uma segunda chance.

Tantas histórias, tantas memórias... O exemplo fez nascer em minha criança, uma pequena leitora, com seus livrinhos infantis em seu próprio quarto. Orgulho de mãe.

Esses já seguiram seu rumo para outros lares.

Hoje, dividimos as páginas, compartilhamos os textos...

Falta prateleira para nosso acervo.

Falta ler tanta coisa.

Não me desfaço dos que ainda não li, nem dos favoritos. Eu empresto, e se ele não volta, acabo comprando outro para reler mais uma vez.

Gostaria de ter uma biblioteca. E ver meus livros sendo lidos por centenas de pessoas... Viajando e fazendo o leitor viajar.

Livros foram feitos para isso, entreter o leitor.

Leia mais.
Leia muito.
Leia sempre.


terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Silêncio

O facho de luz não consegue cortar a escuridão.

O universo é breu.

Um grito calado que ninguém pode ouvir.

Olhos fechados não escondem o que não se quer enxergar.

No mundo paralelo tudo vai bem.

Brotam flores, brotam sorrisos na aridez.

Lágrimas, já não brotam mais.

Ficaram no passado, encaixotadas como as lembranças de um tempo que se foi.

Costumávamos nos lambuzar de sorvetes. Prazeres diversos. Deliciosos sabores.

Cores de todas as cores.

Canções e danças.

O toque e o barulho do mar.

O presente, passado, passou.

No fim do espetáculo as luzes se apagam. Ruidosos espectadores se vão.

Fica o silêncio, a escuridão, o vazio.

O desejo do desejo. O grito calado. A lágrima seca. O passo imóvel.

Na balança, a busca do equilíbrio.

No universo, o alinhamento dos astros.

A certeza que tudo está bem, mesmo não estando.

É assim que deve ser.

A luz, ainda acessa, não pode cortar a escuridão.

Mas a chama se mantém.

As escolhas, as possibilidades, o desejo.

A fagulha sempre pode causar um grande incêndio.

Iluminar os horizontes, soar, aquecer... Destruir.

Para fazer brotar uma nova floresta.

E começar tudo de novo.